Aby Warburg como sujeito poético

0
Aby Warburg como sujeito poético

“Aby”, de Marie de Quatrebarbes, POL, 208 p., 17€, digital 12€.

Até então, Marie de Quatrebarbes havia escrito apenas poesia. Lançado em 2019, velejar (POL), sua quinta coleção, também recebeu o prêmio Paul-Verlaine da Academia Francesa. Ao ler os poucos textos em prosa que publicou com várias editoras, em particular John Wayne está debaixo da minha cama (CIPM/Spectres Familiars, 2018), adivinhamos, no entanto, que o desejo de um romance habitava o autor há muito tempo. O que ela admite prontamente. Mas o poeta, assombrado pela aguda consciência de um “crise da linguagem”sentiu que sua escrita, parcimoniosa e elíptica, não se prestava à expressão “a abundância, a densidade, a profundidade dos personagens” específico para a narrativa de longo prazo.

A partir daí pensar que ela tinha que se interessar por um personagem ele mesmo em crise, como ela faz em longe, para ousar começar, há apenas um passo. Que ela não quer cruzar. Exceto para considerar que a forma romanesca precisamente lhe permitia não “fusão” com seu assunto, e modificou sua caligrafia. Para entender o que aconteceu com o historiador da arte alemão Aby Warburg (1866-1929), durante a crise psicótica pela qual passou logo após a Primeira Guerra Mundial, foi de fato necessário que a escritora alongasse suas frases, explicitasse seu ponto de vista, tomasse o tempo, diz ela, para ser “em forma de simpatia ou amizade com o sujeito”. A única maneira de conseguir explorar a intuição que o fez ver neste episódio um momento preciso no pensamento do fundador da“iconologia”essa nova forma de analisar obras de arte.

Aby Warburg, uma figura cujo legado ainda está muito vivo

Projeto ousado quando sabemos que a biografia intelectual do pesquisador, assinada por Ernst Gombrich (Aby Warburg, 1970; Klincksieck, 2015), discretamente passa por cima dessa crise em silêncio, “como se o episódio fosse inominável ou vergonhoso, disse Maria de Quatrebarbes, enquanto ele continuou a produzir durante seus anos na Clínica Bellevue, Suíça”. Também não é fácil confrontar uma figura cujo legado ainda está muito vivo. Evidenciado pelo lugar que Warburg ocupa na obra do filósofo francês Georges Didi-Huberman, através dos livros dos quais Marie de Quatrebarbes (nascida em 1984), ex-aluna da Escola de Artes Decorativas, conheceu sua obra. A escritora se comprometeu assim com o romance com o sentimento – que lhe é necessário – de “arrisque” : anexado a “momento de fragilidade” de um homem cuja obra fascina muitos de seus leitores, não esconda a “personagem perturbador” disto “deslocamento de sentido” ele está passando, mas também refaz as etapas da cura de um intelectual que os médicos há muito consideram incurável. É isso que o romance, e a verdade sensível a que pode dar acesso, deram esperança ao escritor.

Você tem 59,21% deste artigo para ler. O seguinte é apenas para assinantes.

similar posts

Leave a Reply